Quando Monife saiu de Khiam, vila de pedra no sul do Líbano, levou um caderno de receitas que sua mãe e sua avó tinham anotado em árabe. Marjayoun ficava ali ao lado, com o vinho. As oliveiras desciam em terraços. Décadas depois, em São Paulo, esse caderno virou um restaurante de bairro: o Nour, na Rua dos Pinheiros 1277, aberto em 2018.
O Nour não é uma casa de banquete. É um balcão. O cliente entra, pega uma bandeja, passa em frente à cozinha aberta e monta seu prato — escolhe uma base entre filet, kafta de cordeiro, frango, falafel ou quibe, e dois acompanhamentos entre arroz com lentilha (mjadara), homus, babaganosh, tabule, fattoush, batata fenícia. O modelo, comum nos Estados Unidos com a rede Cava, é raro em São Paulo. Foi uma escolha deliberada: culinária árabe servida sem cerimônia, no ritmo do almoço de quem trabalha em Pinheiros.
A esfiha — carro-chefe — fermenta trinta horas. A massa descansa em câmara fria por mais de um dia antes de ir ao forno. O recheio é carne moída temperada com especiarias árabes — receita da casa, recheada pela Mãe Sadek. Não há atalho. Em sete anos, o Nour acumulou avaliações suficientes pra figurar entre os mais bem avaliados da cidade no Google. A imprensa especializada, no entanto, ainda não escreveu sobre ele. O caderno de Monife continua aberto na cozinha.